quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Politiquices e futebóis

Cada vez que vou ao barbeiro, onde gasto cerca de vinte minutos por mês, tenho sempre a sensação de que não acabou a PIDE porque as conversas de circunstância que ali se desenvolvem, andam sempre à volta do muito bom ou do muito mau que se passou, na política, nos últimos dias.
O tirar nabos da púcara está-lhes na massa do sangue e não perdem oportunidade de saberem o que se passa à sua volta. Provavelmente nem sabem o que fazer com esta informação.
Em alternativa, há as últimas do futebol, no caso, do Benfica, de que aqueles baetas são fanáticos seguidores.
Sabem tudo e têm os remédios fundamentais para que os encarnados ganhem este ano o campeonato, ou a Liga Sagres, ou lá o que é.
Mas há uma tristeza, neles, que é o facto do Sporting não estar na liça. Ganhar um campeonato sem ter como adversário directo aquele clube, não tem o sabor que esperam há já tanto tempo.
Será que não se alterou nada nestes anos todos no que toca aos hábitos e interesses destes profissionais, ou será que nada mudou no género de conversas que os seus clientes lhes impõem?
Será que tudo se resume, nesta vida, a politiquices e futebóis?
Provavelmente é! Pelo menos no meu barbeiro!

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sábado, janeiro 02, 2010

Cogitações Natalícias

Fosse eu o Menino Jesus e revoltava-me!
Não contra o mundo, os homens, os crentes,
Mas contra Deus Pai Todo Poderoso!
Porque razão Me teria feito nascer entre palhinhas
Se sabia já que iam ser inventados os condicionadores de ar?
Tinha sido só esperar um pouco menos de 2000 anos.
Qual era a pressa? Medo da concorrência? Uma questão de marketing?
Porque escolheu para Eu nascer aquela terra só de pedras e areais,
Com tanta zona bonita e prazenteira, por esse mundo fora?
Será que era por já saber que havia petróleo na zona e quis tomar posição privilegiada?
Já agora, porque nasceram naquela área do Globo três das maiores religiões?
Parece difícil distinguir entre crenças e interesses petrolíferos!
Porque Me fez nascer filho de pai incógnito,
Se podia ter ajudado o José a fazer melhor os seus trabalhos de casa?
Precisava ter feito de Mim a ovelha negra do seu rebanho, sacrificando-Me,
Para mostrar a maldade do mundo e dos homens?
Hoje, bastar-lhe-ia apontar para os Telenoticiários ou para a 1ª página de qualquer pasquim!
E por falar disso, o que ganhou a Humanidade com este sacrifício do Seu Filho?
Nada, é bom de ver!
Se guerras havia…guerras há!
Se os Judeus eram maus…hoje não parecem melhores!
Se o Islão era concorrência, hoje o que será?
O que fizeram os Meus seguidores ao longo deste dois milénios, senão pactos com o Demo?
E queixam-se hoje dos Islamitas?
E as Cruzadas?
E a Santa Inquisição?

Mas ainda bem que não sou o Filho de Deus Todo Poderoso,
Porque assim não tenho que me queixar do meu pai,
Um tipo pachola que, tendo sido merceeiro,
Nunca conseguiu roubar,nem enganar ninguém
!

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segunda-feira, setembro 28, 2009

Vocações e viagens virtuais

Uma das razões principais que me levaram a escolher a Marinha como destino e modo de vida terá sido o facto de desejar conhecer outros lugares e outras gentes.
Pouco tempo decorrido, constatei que para além da África lusófona, poucos mais seriam os destinos a demandar, uma vez que a guerra colonial acabara de estalar.
Foi assim que fiz uma comissão em Moçambique a bordo do Aviso de 1ªClasse Bartolomeu Dias, seguida de outra nos Açores a bordo do Patrulha Fogo.
Quando já tinha desistido de através da Marinha ter o ensejo de poder cumprir os meus anseios e imaginário juvenis, tive o privilégio, um pouco à má fila e por falta de oficiais especializados disponíveis, de substituir o chefe do serviço de comunicações da Sagres, na viagem de cadetes da Escola Naval ao Brasil, integrando uma visita oficial do então Chefe do Governo Marcelo Caetano, em 1969.
Seguiu-se uma comissão de serviço na Guiné como comandante dum destacamento de fuzileiros especiais.
Só mais tarde, depois do 25 de Abril, cumpriria uma comissão de serviço em Macau, como comandante da Polícia Marítima e Fiscal, que me proporcionaria um contacto efectivo e directo com uma das mais antigas culturas do globo.
Alguns anos depois e outra vez a bordo dum navio, desta vez o S.Gabriel, navio-reabastecedor integrando uma força naval que incluía mais duas fragatas, tive a oportunidade de escalar Brest, Portsmouth, Las Palmas e Palma de Maiorca.
Por aqui se quedou o meu conhecimento do mundo através da Marinha.
Hoje é possível, via Internet ou via TV, viajar-se indefinidamente, escolhendo os itinerários a nosso gosto, vendo aquilo que de outra forma os nossos olhos teriam grande dificuldade em descortinar, com guias especializados, sem borrascas nem enjoos.
As facilidades de crédito concedidas pelas agências de viagens também podem colocar-nos em horas nos mais recônditos lugares do mundo.
Por esta razão, já ninguém terá que escolher a Marinha como destinatário de acção de sonhos e anseios.
Bastará para isso apenas uma ligação online e o mundo é quase seu.
Que restará à Marinha fazer para retomar o lugar que tinha no coração dos jovens e que os fazia dar o “passo em frente”?
Estou em crer que não lhe restará alternativa do que tornar-se um jogo de vídeo ou de computador.

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segunda-feira, setembro 21, 2009

A Triste Decisão

Não sei o que possa querer, mesmo sem crer!
Gostaria de o adivinhar mesmo por entre mentiras e ocultações!
O amanhã será hoje sem tirar nem pôr porque, decida como decidir, tudo já estará decidido à partida!
O discurso esfarrapado, encapotado ou ardiloso, o sorriso trocista, escarninho ou forçado, a letra da canção armadilhada, as caras lambuzadas por trinta dinheiros, tudo fica perdido pela História, que apenas guardará da efeméride, uma data e um nome.
E o resto, pergunto eu?
A minha decisão para que serve, para quem servirá?
Que decisão será essa, tão importante assim?
É a minha! Aquela que em consciência tomarei como boa! Como a melhor!
Isto, se a chegar a tomar…claro.
É muito triste ter de decidir assim.

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terça-feira, junho 30, 2009

Madoff ou Badoff?

Não sei se conhecem o termo “badofe”? Nem sequer sei se se escreve assim!Seria Badoff? Mas em minha casa, quando era miúdo e me portava mal, a minha mãe dava-me duas palmadas no badofe, que é como quem diz no rabiosque, que é como quem diz no rabo.
Isto surgiu-me a propósito do Madoff. Soou-me ao mesmo e nem sequer há assim muita diferença. Só que a funcionar ao contrário.
Enquanto pelo badofe saem os dejectos depois de transformados os produtos originais de boa qualidade, nele, Madoff, saíam os produtos lavados, como novos, depois de lhe terem sido injectados dejectos produzidos pela sociedade financeira sem escrúpulos e a quem prodigalizou lucros colossais.
Todos sabiam como funcionava o esquema e dele se aproveitaram enquanto puderam.
Agora somente ele assumiu e teoricamente irá pagar a quota-parte de responsabilidades no processo, havendo quem ainda reclame prejuízos sofridos.
Se fosse a ele, mandava-os todos à Merdoff.

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quinta-feira, março 26, 2009

Agora, chuto eu!

Este é um país da treta.
Dantes era Deus, Pátria e Família, a que não eram alheios os engodos futebolísticos , os fadunchos e as touradas. Hoje é Sem Deus, Muitas Pátrias e Sem Família. Mantêm-se notoriamente as touradas, as fadistices e o futebol que atingiu o ponto mais elevado das preocupações nacionais.
Faz uma semana que um penalty providencial veio desequilibrar a monotonia da final duma competição sem história e sem interesse, conferindo-lhe uma importância que está longe de ter, quer do ponto de vista desportivo quer financeiro.
Serviu apenas esta Taça da Liga para algumas equipas, como foi o caso das duas finalistas, tentarem salvar uma época desastrada, em que não conseguiram, mais uma vez, atingir prestações e sobretudo resultados de acordo com os investimentos.
Por outro lado este penalty fabricado, bem pode ter sido encomendado, tanto pelo governo como por qualquer das equipas ou ainda pela própria Liga de Clubes.
No caso de o não ter sido, temos que apreciar a astúcia dum árbitro que resolveu dar ao País razões bastantes para que a crise financeira se tornasse assunto desinteressante, a pesada derrota do Sporting frente ao Bayern passasse à História, o Benfica tivesse conseguido muito provavelmente o único troféu desta época castelhana e a Liga justificasse uma Taça que não serve senão para aumentar as despesas dos clubes, lesões nos jogadores e sobrecarga injustificável do calendário futebolístico, sobretudo dos clubes envolvidos nas competições europeias.
Por tudo isto, há que louvar a efeméride e as descargas figadais de dirigentes, treinadores e responsáveis desta “trampalhada” do futebol lusitano.
Venha agora a Selecção e a Suécia!

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sábado, janeiro 17, 2009

O Crepúsculo Vespertino

Uma correria, um ver se te avias à procura da estrela que está para “nascer”.
A Bombordo, a Estibordo, pela Proa, à Popa...nada.
Não há horizonte nem estrelas. Está tudo nublado. Só, de quando em vez, se conseguem vislumbrar alguns planetas, sem brilho nem luz própria que gravitam à volta do Deus Sol Todo Poderoso, que os ofusca ou ilumina a seu belo prazer. Tão depressa parecem acender-se para logo se apagarem, como pontas de cigarros já fumados.
E, quando algum se atreve, logo uma nuvem negra lhe desvanece a ousadia.
Os próprios sextantes têm as lunetas desfocadas pela ansiedade e nervosismo militante de quem os usa. Nada de bom se enxerga com eles para além da ponta do nariz.
A marcha do cronómetro foi alterada para o emparelhar pela hora ilegal do Relógio de Sol. Ainda que se conseguissem as alturas dos astros, a posição não seria fiável nem segura.
O ponto assim tomado, não serviria nunca para guinar para rumo safo de escolhos nem para aterragem de jeito a porto seguro.
Mais vale manter a estima e adiar a guinada. O crepúsculo matutino ainda demora, mas vai chegar.

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quarta-feira, dezembro 31, 2008

Holocausto ou Otsuacoloh

Contra uma fisga…mísseis marchar, marchar!
O novo interlúdio de “Um Violino no Telhado”.

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sábado, dezembro 06, 2008

Natal de Paixão

A quadra que se avizinha ou que se vive já, está ela também em crise.
Celebrar o nascimento de Cristo, deixou de ser uma festa intimista e familiar, para se tornar um palco de vaidades, feira de ilusões, festa de desperdícios.
Os valores ora exaltados são a cobiça, a inveja, o despesismo, a vacuidade feita oferta em embrulhos reluzentes, desprovidos de conteúdo humano e solidário.
Em nome da crise produzimos mais e maior crise com despedimentos diários, com redução de efectivos ou de laboração, que mais não significam do que Natais estragados, adiados ou nunca mais festejados.
Em vez de Natal de paz fraterna, teremos certamente Natal de lutas: contra o autismo autoritário, contra o socialismo de cátedra, contra a falta de solidariedade social e humana.
O Menino Jesus substituído pelo avô cantigas do Pai Natal, deixou de ser ingénuo e puro para se tornar velho e manhoso.
Deixou de se celebrar a vida para se anunciar a morte. Se o nascimento merece arauto, já a morte sugere carpideiras.
Parece-me que calendário litúrgico se avançou no tempo e trocou o Natal pela Quaresma.

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sábado, novembro 29, 2008

O Valor das Coisas

Claro que já sou velho! Nem podia deixar de não ser, uma vez que o tempo nos vai enfeitando com patine, pondo sombras nos olhos, algodão nos ouvidos e música no coração.
Mas esse facto não implica que tenhamos de todo perdido a memória das coisas, a noção do tempo ou dos tempos e sobretudo dos valores por que nos regemos.
Nem sequer sou saudosista, entendendo que a vida corre como um rio para a foz e não ao contrário.
Como marinheiro que ainda me lembro de ter sido, sei que os “ventos de contra”, impõem pano latino para que possamos bolinar.
Depois desta introdução, que não teve outro fim que não fosse tentar demonstrar a sanidade mental de que ainda me julgo portador, vou direitinho ao meu “guarda-factos” e sacar, dum cabide carcomido pelo bicho-carpinteiro, um dos ditos, que merece registo especial.
Corria o final dos anos sessenta e tinha acabado de ser promovido a primeiro-tenente. Julguei oportuno adquirir um carro, pois que as perspectivas de nova comissão em África, abriam-me a possibilidade de suportar os encargos do empréstimo que tinha que fazer.
Optei pelo mais baratinho do mercado – um MINI – que custava a fortuna de 42.000$00, se pago a pronto.
Um dos bancos comerciais da nossa praça rejeitou o meu pedido de empréstimo individual de 50 contos, que apregoavam na altura como acessível a qualquer cidadão. Este facto levou-me a dirigir ao CEMA uma carta onde dava conta do crédito que um oficial da Armada tinha no mercado de valores de então.
Fui aconselhado a dirigir-me ao banco com quem a Marinha trabalhava e lá me foi concedido o dinheiro, com o qual fui a correr comprar o meu carro novo.
Bom, esta historieta só serve para introduzir o valor relativo das coisas e do próprio dinheiro com que diariamente tentamos fazer face às nossas necessidades e compromissos.
Hoje, fui ao Multi-Banco e em dois levantamentos, necessários para pagamento de despesas rotineiras, levantei nada mais, nada menos, do que dois MINIS dos anos 60.
A partir deste momento passei a registar as minhas despesas em MINIS, constatando também que o crédito que merecemos no mercado de valores actual não é muito diferente do de então.

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segunda-feira, novembro 24, 2008

As Crises

As situações de crise fazem aparecer sempre os espertalhões que dela se aproveitam, explorando, a seu favor, as fraquezas que as mesmas geram.
A dependência económica da Europa aos Estados Unidos começou no pós guerra com o designado Plano Marshall, que visava a reconstrução da Europa destruída pela guerra, através de apoios financeiros e doações dos Estados Unidos aos países aderentes, desde que deixassem caminho livre às empresas americanas, iniciando-se dessa forma a internacionalização da sua economia com a criação das multinacionais.
Esse cordão umbilical manteve-se praticamente até ao aparecimento da CEE que, a pouco e pouco foi empurrando os E.U. para fora da sua área de influência, concorrendo com eles nos seus mercados tradicionais.
É também em situações de crise que é usual aparecerem os salvadores da pátria, que rapidamente se transformam em senhores dos seus destinos.
Não precisamos de ir muito longe na nossa História recente para encontrarmos o mais proeminente, que deteve o poder por mais de quarenta anos, só tombado por uma cadeira desleal, poder esse que tomou e manteve para ultrapassar a crise em que o País havia caído depois de lutas incessantes e insanas pelo poder durante a primeira república.
No plano económico, conta-se que um eminente empresário, já falecido há alguns anos, resolveu sê-lo depois duma lei que impunha a todos os trabalhadores a necessidade de ter o diploma da instrução primária para ter direito à carteira profissional e, assim, poder ter acesso ao mercado de trabalho com maior facilidade e melhores proventos.
Como tal não era exigido aos empresários, este nosso amigo de visão estratégica brilhante, resolveu dar o salto qualitativo de operário fabril para empresário no mesmo ramo, tendo certamente tido necessidade de tirar um curso intensivo para contar os milhões que a sua mudança de estatuto lhe granjeou.
Outra estória de sucesso em altura de crise, foi narrada por um camarada que, nas horas vagas, tinha uns negócios com as ex-colónias portuguesas, especialmente com Angola.
Aquando da primeira tentativa de eleições naquele país, a que se seguiu uma carnificina medonha, especialmente em Luanda, em que foram mortos muitos quadros da Unita e que terminou com a retoma da guerra civil em modos muito mais violentos, indaguei esse camarada como corriam os seus negócios, pensando que estariam comprometidos com o conflito. Respondeu-me que nunca haviam estado melhor, já que os produtos que de lá importava tinham passado a ser pagos com caixões que para lá remetia “na volta do correio”.
Para todas as crises existem sempre saídas airosas, sobretudo para quem lida com elas de mente aberta e olhar atento, vendo-as como uma janela de oportunidades que se quer escancarada e estando pronto a dar o salto para as agarrar quando se lhe deparam, mesmo que esse salto signifique passar os grilhões dos nossos pés para os pés do parceiro do lado.
Por enquanto, mantenho a minha janela apenas entreaberta.

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sábado, novembro 01, 2008

(A)mor Negro

Há uns anos dizia-se, jocosamente, que a forma de resolver os problemas que, na altura, afligiam as Forças Armadas Portuguesas, era uma declaração de guerra aos USA.
Estes tomariam este país de assalto sem qualquer esforço e assim as forças armadas portuguesas integrariam as forças armadas mais poderosas do mundo, sem necessidade de se andar a mendigar a todos os governos aquela que é entendida ser a forma correcta de organização, equipamento e apoios necessários para que as mesmas possam cumprir com eficácia a sua missão.
Não sei se hoje, com a crise que os USA atravessam, seria boa ideia. Ainda nos arriscávamos a ganhar a guerra.
E, depois?

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quinta-feira, outubro 16, 2008

E viva o Benfica!

Não se pode ligar a televisão nem ouvir noticiários na rádio. A telenovela é sempre a mesma, embora com cenários diferentes – a crise financeira e agora económica, mal acautelada na proposta de OE para 2009. As bolsas e o petróleo a subir e a descer. Quanto aos impostos, não se sabe bem se sobem, baixam ou nem por isso. Só a Selecção desce sempre. O pessoal já sente saudades do Sargentão, que enche o bandulho de dinheiro e de gozo com os “bifes”, enquanto o Queirós os trocou pelos “açordas” cá do burgo.
Mas o que mais me irrita e entristece são as oposições, incapazes de desempenhar o papel que lhes cabe neste espectáculo degradante. Um dos líderes, pelo menos é coerente. É raro ver-se e ouvir-se. Para quê? Para fazer figura de parvo e dizer asneiras, só para não ficar calado? Mais vale assim! O calado é o melhor, já dizia a minha avó Albertina, que tinha a mania de dizer coisas!
É melhor esperar que o senhor caia da cadeira, de maduro, claro!
Os sindicatos são agora confrontados com acusações de conluio nos despedimentos colectivos das empresas, por via das indemnizações pagas aos trabalhadores, de que recebem uma percentagem. A acreditar nisso seria o fim da picada. Que mais nos poderá acontecer?
A Segurança Social em pré-falência, os fundos de pensões em falência, os seguros de vida e as poupança-reforma em risco. O que nos resta?
Até a Senhora de Fátima está em crise…
Só nos fica o Benfica cá em baixo ou o Porto lá em cima, carago!

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terça-feira, outubro 07, 2008

Subprime ou SubPrime? Eis...a questão!

Não estou doente.
Estou gasto, como o nosso dinheiro. Vazio, como os nossos cofres.
Irritado como o treinador do Sporting. Agastado como o do Benfica.
Nunca poderia perder 500 milhões como o Belmiro, porque nem sei o que isso é! Cabe em quê? Num camião TIR, num livro de cheques ou numa cautela da Sta Casa da Misericórdia?
As únicas coisas que poderei perder, se as não souber guardar, são as amizades que arregimentei ao longo dos anos, fruto do companheirismo, partilha, entreajuda e espírito de equipa, tanto nos bons como nos maus momentos.
Resolvi não ver nem ouvir noticiários para não entrar em parafuso.
Não bastavam já os “nossos erros” para termos ainda de importar os dos “outros”.
A aldeia global, globaliza também as asneiras. A Subprime, ou lá como isso se chama, atravessou o Atlântico, não de barco ou avião, mas pela net, pelos media, pelos investimentos arriscados de alguma banca dependente e instalou-se nas nossas casas e pior do que isso, nas nossas mentes, atormentando mais o nosso dia a dia, já de si cheio de preocupações doutra natureza.
Estou em crer que esta crise só pode mesmo servir os interesses dos partidos políticos. Uns, para justificar o injustificável, outros para argumentar apenas e contestar somente, o justificável.
Se o endividamento dos portugueses era uma dor de cabeça, poderá ter-se transformado numa enxaqueca permanente.
Só mesmo a Senhora de Fátima poderá fazer o milagre que o nosso SubPrime não conseguiu.

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quinta-feira, agosto 14, 2008

Os Lilliputianos


Há já alguns anos, Lisboa ainda era uma cidade calma e serena, em que a marginalidade violenta se resumia a uns quantos “filhos maus de famílias boas”, que usavam e abusavam da sua qualidade de meninos ricos a quem tudo era permitido e que o maior risco que corriam era passar uma noite no xelindró até que o paizinho ou a mãezinha o viesse buscar pela manhã, alertado pela Polícia.
Alguns movimentavam-se em grupo pela noite lisboeta, visitando tascas e bares nos bairros castiços, onde se cantava fado e bebia até desoras. Não perdiam a oportunidade de armar o seu salsifré, que acabava normalmente com umas cabeças partidas e uns dentes a menos.
Nesses grupos, normalmente um dos parceiros de baixa estatura era encarregado de promover a desordem, com provocações, levando os incautos a aventurarem-se na réplica por se acharem capazes de lhe aplicar uma correcção. Engano o deles, pois logo aparecia a matilha que os desfeiteava de pronto.
Julgo que será um bocado o que ora ocorre no Cáucaso.
Alguém assolou a Ossétia do Sul a rebelar-se contra a Geórgia ou vice-versa, por forma a criar um conflito que pusesse em causa a disciplina que a Rússia quer manter na sua área de influência e de interesses económicos.
Só que a matilha ainda não apareceu ou só agora começa a fazer soar o seu rosnar ao longe e o baixinho, ou melhor, os baixinhos é que se vão lixando.
Palpita-me, mesmo, que já não saem da liça sem os dentes todos partidos, um olho à Belenenses e não sei quantas costelas fendidas.
Isto tudo, enquanto se batem records olímpicos e mundiais a todo o momento, um pouco mais para leste, noutra contenda, essa muito mais dignificante.

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terça-feira, agosto 12, 2008

É preciso acreditar

Sempre acreditámos nas nossas capacidades para vaticinar resultados sejam eles do Totobola, do Totoloto e mais recentemente do Euromilhões.
Depois, acreditamos sempre que o Benfica ou o Sporting sejam capazes de desfeitear o Porto no campeonato ou na liga, como agora é designada a compita futebolística nacional.
Tudo isto contém muito mais de fé do que razoabilidade, que uma apreciação desapaixonada contrariaria por um lado as probabilidades e por outro a capacidade técnico-futebolística das três equipas em apreço.
Mas, mesmo assim, acreditamos sempre nos milagres de Fátima, ainda que crentes não sejamos.
Pois bem, continuando nesta perspectiva, não deixámos de acreditar que a selecção do Sr. Scolari arrecadaria um título europeu ou mesmo mundial. Agora nas Olimpíadas chegámos a pensar em sete ou oito medalhas, de ouro claro, já que a prata ou o bronze não dão para cobrir o défice orçamental.
E as desilusões não acabam. E outras se lhe seguirão. Porquê?
Se pensarmos, talvez percebamos que somos dez milhões de almas penadas, na sua maioria velhos e reformados, que não servem para participar em competições a não ser de copos, bisca lambida ou vermelhinha. A China por exemplo, tem mais de mil milhões de habitantes para seleccionar quem os represente.
É sina nossa acreditar.
Acreditámos que seria possível fazer um país mais justo e mais fraterno e não conseguimos mais do que, nalguns casos, agravar as situações de desigualdade. Desigualdade de oportunidades, já que se continua a dar preferência a amigos dos amigos. Desigualdade social porque cavamos, cada vez mais fundo, o fosso que separa os ricos e pobres fazendo desaparecer quase por completo a classe média trabalhadora e empreendedora. Desigualdade de tratamento em termos humanos e morais, subvertendo princípios constitucionais de direitos humanos de liberdade de expressão, de acesso à saúde, ao ensino e ao trabalho, obrigando muitos jovens a procurar na marginalidade solução para problemas que os afligem.
Hoje, também deixámos de acreditar nos Serviços Meteorológicos, porque não foram capazes de atinar com uma previsão correcta.
Apesar disto tudo, eu continuo a acreditar em nós! Porquê?
Porque sou teimoso e descendente, como também agora descobri, dos Alanos!

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segunda-feira, julho 21, 2008

Nós, os jovens pá,...

Nem o calor do Verão evita as diatribes políticas entre os leaders dos principais partidos. Dantes, só se retomava a política depois das férias grandes, com os políticos bronzeados e a cheirarem a cremes de protecção. Chamava-se a isso “a rentrée política”, que normalmente começava com comícios pelos Algarves nos finais de Agosto, para aproveitar ainda os militantes que aí se encontravam de férias, porque os que não gozavam férias ali ou não as gozavam mesmo, esses que comprassem os jornais ou vissem os noticiários.
Só o PC fazia e faz a sua entrada política no princípio de Setembro, com a festa do Avante. Conservadores até nisso.
Mas, voltando aos discursos dos políticos, ao tentarem puxar a juventude para a sua verdade, acabam por envolvê-la na sua mentira, toda ela embrulhada em chavões que nas suas bocas não querem dizer nada, não significam nada.
Uma esquerda moderna e progressista tão perto na acção duma direita anquilosada que nem soluções discursivas encontra para expressar de forma diferente aquilo que a tal de esquerda vai fazendo e que não é mais do que ela própria faria.
Nunca os governantes gritaram que tanto fizeram, de nada se vendo resultados, a não ser os que se conhecem e que os não abonam muito. A pobreza, o desemprego, a falta de perspectivas e agora até de esperança, não servem de cartão de apresentação a qualquer membro deste Governo, nem mesmo das oposições.
A justiça anda pelas ruas da amargura, na verdadeira acepção da expressão, com informação grave transposta para os media sobre a forma de actuação policial em caso de perseguição, etc. Pode e deve ser feito dentro das esquadras e dos quarteis, mas não se pode dar disso conhecimento público aos criminosos. Eles já têm a sua vida tão facilitada pelos actuais Códigos do Processo Penal e Penal!
Depois é a vergonha do caso McCann. Em que ficamos ? Pedimos desculpa também como os jornais britânicos? E o Apito Dourado e a reunião do Conselho de Disciplina da FPF? E a Operação Furacão? E a Quinta da Fonte? E… ? E… ?
Algum poder executivo ou judicial pode vir a público dizer que tudo está bem no Reino da Dinamarca?
Onde estão os resultados ? Onde estão as soluções preconizadas pela oposição com maior peso no eleitorado ?
Onde estão os Portugueses ? Onde está a Juventude ?

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domingo, maio 25, 2008

O Gangóleo


Eu costumava dizer que, para mim, os combustíveis nunca aumentavam de preço. Metia sempre 2000$00.
Só que com dez euros, hoje, pouco mais dou do que a volta ao quarteirão.
É para andar a pé! Faz bem à saúde! Só que não estou a ver muito bem o que acontecerá aos empresários a terem que pagar os combustíveis aos preços correntes?! Que saúde será a deles dentro em pouco tempo? Se já não estavam bem, como ficarão?
Pior do que isso, acho que a crise que daqui vai resultar apresenta contornos muito estranhos e em tudo semelhantes às que antecederam graves conturbações sociais no mundo, a que só a guerra pôs fim.
Se pensarmos um pouco, entende-se de alguma forma o que está a acontecer. Os países produtores de petróleo têm sido permanentemente atingidos por guerras fratricidas ou impostas do exterior, que os mantêm num estado de permanente insegurança e desassossego.
Dir-se-ia que aquilo que poderia e deveria ser um bem que a todos beneficiaria, acaba sendo como o sal de Sodoma e Gomorra, que a todos lançará nas chamas purificadoras.
Assim sendo, parece que arrastar os causadores e fazedores de guerras nesse lume infernal, acaba por ter o aroma de vitória e de vingança, para quem não tem nada a perder e poderá ter tudo a ganhar.
Há algum tempo manifestei aqui a estranheza de que a zona onde nasceram três das principais religiões da Humanidade nunca tenha tido sossego, sendo palco de instabilidade permanente ao longo de toda a sua História. Umas vezes por isto, outras por aquilo!
Faz-nos pensar que Deus talvez também tenha acções nas gasolineiras.

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quarta-feira, maio 14, 2008

A Super-Moldagem

Imagem daqui


A moldagem pode ser um processo de reprodução de peças ou objectos que lhes garante a mesma forma, através do molde ou forma. Não garante no entanto que o objecto moldado tenha as mesmas características físico-químicas do original, dependendo do material utilizado para lhe dar a forma.
Pode ainda ser uma técnica de enxertia e poda de plantas que reproduz nelas a forma e mesmo a maioria das características da planta de enxerto.
A moldagem quando aplicada à sociedade pode dar como resultado claques do tipo futebolístico ou cliques políticas ou religiosas, reproduzindo comportamentos copiados de figurinos conhecidos ou pré-concebidos.
Em todas estas abordagens existe uma vontade de fazer igual ou tão parecido quanto possível. Padronizar, massificar são consequências de processos deste género.
A clonagem aparece nesta sequência como o fim para que tendem todas as moldagens, tornando a similitude completa, total.
Se a moldagem já levantava alguns problemas quando aplicada aos comportamentos, a clonagem veio levantar outros maiores e mais graves, ao acabar com a individualidade dos seres vivos, pois só a eles se aplica, tornando-os números dum universo monotonamente repetitivo.
Os seres vivos podem agora ser produzidos em linhas de montagem como se de objectos se tratasse.
As expectativas podem ser enormes em termos de qualidade do produto final, se a cópia ou molde for conseguido a partir dum original perfeito, tão mais perfeito quanto a possibilidade, já existente, de manipulação genética.
Mas, e em tudo há sempre um mas, quais serão os critérios de escolha no futuro se os seres vivos forem todos iguais? E os de beleza? E os comportamentais?
Irá haver apenas um clube, um partido, uma religião? Uma só doença? Todos do mesmo sexo? E qual? E os concursos de beleza? E os programas de televisão? E já agora, os vencimentos? Serão todos patrões ou todos empregados?
Ou, existirão linhas de montagem diferentes?

Haverão sempre uns mais iguais do que os outros!

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quinta-feira, maio 08, 2008

Hoje, há caracóis!


Hoje há caracóis!
Mas podia haver passarinhos, pernas de rã, miúdos de galinha…
Não é à porta duma tasca ou dum restaurante. E daí, até talvez seja. Só que não se vê! E o que se vê é o edifício magnífico dos BVE. Era mais natural que dissesse que havia ambulâncias disponíveis ou um piquete de serviço ou uma equipa de espeleologia ou de mergulhadores ou de primeiros socorros em Stand-by. Mas não! O que havia, o que há, são caracóis!
Mas ficamos na dúvida se serão caracoletas grelhadas na chapa “con su ranho” ou caracóis, dos pequenos, cozinhados com orégãos, com aquele molhinho bom com que se enchem as cascas vazias e se sorve fazendo uma barulheira do caraças e acompanhado de metades de paposeco torrado com manteiga.
Outra coisa que não esclarece é quanto custa o pratinho, a dúzia, o quarteirão…
O cartaz publicitário também não tinha a designação de origem: de Marrocos, do Algarve ou da Suiça. Da Suiça seriam “escargots” e não caracóis. Provavelmente são alentejanos e apanhados nos rescaldos dos incêndios.
Como há ambulâncias medicalizadas, também poderá havê-las caracolizadas. Isso quererá dizer que se deslocam à velocidade dos caracóis ou que servem estes moluscos gastrópodes, tão ricos em ferro, durante o transporte de doentes?
Presumo que seja mais esta última, inserida numa Política de Saúde mais abrangente que recomenda a ingestão de caracóis, em substituição de carne ou peixe que fazem subir o colesterol e o ácido úrico e defraudam de forma irreparável a bolsa dos portugueses, já de si tão maltratada.
Aceite a recomendação dos BVE e tenha uma saúde de ferro.
Hoje houve caracóis!

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