sexta-feira, março 19, 2010

Dia do Pai

Ser Pai, é ser unicamente uma presença. Constante, conspícua, disponível, desejada e requerida.
Saber ouvir mais do que ouvir-se.
Dar mais respostas que formular perguntas.
Apontar mais do que impor.
Olhar para lá do horizonte visível e saber esperar.
Deitar-se na esperança de que não acordará num lar ou num asilo.

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sábado, fevereiro 20, 2010

20 Anos de libertação de Nelson Mandela

No passado dia 11, completaram-se 20 anos sobre a libertação de Nelson Mandela. Viva Mandela!

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terça-feira, fevereiro 16, 2010

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quinta-feira, janeiro 07, 2010

18 000 Refregas

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sexta-feira, janeiro 01, 2010

Entrar com Strauss

Entrar e sair.
Não há muitas alternativas. É obrigatória tanto uma coisa como outra.
Há quem saia sub-repticiamente, como quem não quer a coisa, mas também há quem saia aos ombros pela porta grande, cortando orelha e rabo, entre foguetes e fanfarras.
Há quem queira atirar para trás das costas toda a tralha que carregou ao longo dos intermináveis 365 dias. Outros, porém, não sabem como fazer parar a máquina do tempo que os manda inexoravelmente para a cova grande sem largo nem fundo, como canta o poeta.
O último degrau causa sempre apreensão a quem tem que apresentar contas, preferencialmente certas. Há, contudo, quem opte pela escada rolante que rápida e comodamente o atira para o outro lado sem medos nem tensões.
O que faz a grande diferença entre o entrar e sair é o conhecimento do que já foi e a incógnita do que está para vir.
Há quem se empurre ou salte para chegar primeiro, mas também quem entre ao pé-coxinho, para dar sorte ou pé ante pé para não alertar as bruxas.
Entrar tem sempre a carga do desconhecido, a esperança do diferente, a expectativa da mudança. Por isso se faz com abraços e beijos, com brindes e votos que estimulam a confiança eventualmente perdida, a fé em melhores dias muito questionada ou a felicidade dificilmente encontrada.
Assistir ao Concerto de Ano Novo transmitido de Viena é uma forma que tenho de entrar acompanhado duma coisa de que muito gosto e muito prezo – a Música de Strauss, eterna porque bonita e despretensiosa.

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terça-feira, dezembro 01, 2009

Outros 1ºs de Dezembro

Nem todos foram de má lembrança.
Quando era menino na cidade onde nasci, a única forma de convívio e de práticas de tempos livres era participar nas actividades lúdicas da Mocidade Portuguesa, vulgo “Bufa “. A alcunha depreciativa, não sei se tinha que ver com a cor da farda (feijão com couve), ou se era pelo facto dos seus dirigentes e seguidores serem “bufos”, isto é, fazerem de olhos e ouvidos do regime instalado.
Para mim a MP, foi sempre um escape para a prática de desportos e de ar livre. Tinha uma actividade paralela à dos escuteiros, sem o ónus da religião.
Não há bela sem senão e lá tinha que gramar quase todos os anos as cerimónias comemorativas do 1º de Dezembro, com paradas intermináveis que nos deixavam exaustos e punham em causa todos os aspectos positivos já referidos.
Sempre que podia baldava-me, mas nem sempre o conseguia.
Mais tarde e já no Liceu, como membro da Tuna Académica, onde tocava viola (nunca passei da 1ª, 2ª e 3ª de dó e sol maiores e ré menor), fazíamos todos os anos a Alvorada do dia 1º de Dezembro, percorrendo as ruas da cidade tocando alternadamente os hinos deste dia e o do Liceu.
Era uma tradição académica que a cidade apoiava e sentia também como sua.
Normalmente era noite de vela, que começava com uma “ceata” perto da meia-noite numa das tascas da cidade e se prolongava com beberragens verdadeiramente despropositadas e irracionais, mas que nos davam uma sensação de liberdade para que a data apontava.
Foi a partir duma destas noites que nunca mais consegui tocar numa bebida tenebrosamente açucarada e alcoólica que dava pelo nome de ponche, comercializada numa garrafa prateada. Só me lembro de cair e de a dita garrafa se partir entornando o melaço no bolso da batina, que de manhã nem sequer permitia que a mão entrasse no endurecido bolso, impregnado que estava de açúcar cristalizado.
A ressaca durou quase uma semana com dores de cabeça e vómitos.
Noutra noite destas, a conselho dum colega mais rodado nestas andanças, comprei na Farmácia uma pastilha efervescente Alka Seltzer (julgo que se escreve assim) para o caso de me exceder nas bebidas.
Veio a acontecer o já previsível enfrascanço pelo que me lembrei da dita cuja, que de imediato tirei da embalagem e meti directamente na boca empurrando-a com um copo de água.
Só que a pastilha tinha um diâmetro grande demais para ser facilmente engolida. Julgo que propositadamente para evitar tal facto, de que me não dei conta.
Terá ficado portanto entalada no “gorgomilho” que com a água e a humidade natural do local, começou a borbulhar, saindo as bolinhas pelo nariz e quase me matavam por asfixia, não fosse uma enorme pancada nas costas que um colega assustado me deu, fazendo a pastilha soltar-se e sair boca fora como uma bala.
É uma cena que relembro sempre por esta altura, com um enorme sorriso nos lábios.

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sexta-feira, abril 24, 2009

25 de Abril

Em Abril de 1978, escrevia eu assim no Boletim Informativo da Polícia Marítima e Fiscal de Macau, na evocação do 25 de Abril:

Permito-me destacar o segundo parágrafo deste texto, pelo que significou para muitos de nós que o vivemos por dentro, com intensidade e amor, e dele esperávamos muito mais do que um esboço de democracia, com contornos tão mal definidos quanto os desta cópia digitalizada do original do "Manobra":

...A felicidade, que de ti emanava, contagiavca tudo e todos.
O mundo era mais bonito e a esperança brilhava nos olhos
das pessoas e nas canções que todos cantavam. ...

Não resisto a transcrever outro parágrafo, pelo que tem de actual:

...Tu, que destribuiste cravos e rosas, serás julgado e condenado,
porque não conseguiste o milagre de as transformares em pães!...
E concluo esta evocação da efeméride com um sentido de perda, mas também com a certeza de que um dia o 25 de Abril se cumprirá, pela vontade das gentes.
Nesta Primavera do nosso descontentamento, um cravo desbotado pelos maus tratos, mas em fundo verde de esperança.

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terça-feira, abril 21, 2009

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sexta-feira, março 20, 2009

Dia do Pai

No Dia do Pai, um pai terá sido condenado a prisão perpétua por mau exercício enquanto tal.
Não existem escolas de pais. Eles têm que aprender por si a gerir a complexidade que é a vida daqueles que puseram cá neste mundo e que não têm culpa nenhuma disso.
Hoje, olhando para trás, tenho a sensação de que, apesar da ausência forçada que me impediu acompanhar parte importante da infância das minhas filhas, as coisas não me terão saído mal de todo. Pelos resultados, digo eu. Pessoas equilibradas com vidas equilibradas, num mundo desequilibrado.
É claro que este é sempre um trabalho partilhado por todas as partes intervenientes no processo – o pai, a mãe, as filhas, a envolvência.
Hoje em dia quase que é mais relevante na educação dos filhos o mundo que os rodeia do que propriamente o ambiente caseiro, onde quase nunca ninguém se encontra.
Horários de escola, de trabalho, de actividades extraescolares desencontrados, refeições e sonos rápidos. Os pais passam mais tempo nos seus empregos do que em casa, os filhos passam mais tempo fora do que em casa.
É aí, fora, que quase tudo acontece. O divórcio entre pais e entre pais e filhos. Os pais cada um para seu lado, os filhos sem saber para onde se virar.
Cada um com a sua dose de solidão sobre os ombros, quando a isto se não juntam outros pesos e pesadelos.
Mas como pai bem sucedido tenho que dizer que com filhas destas é muito fácil ser-se pai.
Neste Dia do Pai saúdo as filhas que tenho!

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segunda-feira, março 02, 2009

Dobram por ti os sinos, pobre Guiné!

Pobre Guiné, que não tem remédio nem saída.
Não foi bonito o que aconteceu, nem será bonito, provavelmente, o que se segue.
Numa casa onde não há pão (leia-se arroz ou milho), todos gritam e, possivelmente, todos terão razão. Razão de queixa, sobretudo. De queixa da miséria a que são compelidos por herança mas também, e acima de tudo, por nascença.
A Guiné tem uma área semelhante à dos Alentejos. Grande parte, afoga-se na maré-cheia, para se espreguiçar ao sol tropical na maré-vazia.
Os terrenos alagadiços, são pantanais salgadiços, sem grande aproveitamento agrícola. Num ou noutro caso poderão ser utilizados para arrozais, embora de baixo rendimento. Nas estepes e savanas a mancarra e o milho poderão constituir a restante capacidade produtiva daquela terra. Os palmares são poucos e fracos, mas ainda assim permitem a recolha de algum óleo e de cibes (madeira de palmeira cibé rachada, extremamente resistente à humidade e bicheza, usada em estacarias e na construção). As fronteiras negociadas pelas potências coloniais separaram famílias e abriram feridas difíceis de sarar.
A Guiné encostava-se ao Casamance, o que lhe valeria a possibilidade de exploração de madeiras exóticas e o aproveitamento duma imensa bacia hidrográfica.
Defraudada dele, resta-lhe a memória do que poderia ter sido.
Neste pequeno território, coexistem cerca de quarenta etnias, com culturas, idiomas e religiões diversas, num mosaico complicado de gerir e de obedecer a uma ordem social que lhes é avessa.
A unidade foi conseguida, de certa forma, na luta armada contra o colonizador, mas esvaiu-se de imediato logo que um dos companheiros de luta assumiu o poder, ganha que havia sido a independência política.
Retornaram de imediato aos valores tradicionais e culturais relegando para segundo plano a conquista da independência económica.
Mesmo a língua escolhida para veículo de comunicação comum, o Português, não serviu os seus intentos, na totalidade, pela falta de penetração nas zonas rurais.
Resumindo, o Nino, que hoje se findou assassinado às mãos dos seus compatriotas e companheiros de outras lutas, também ele não conseguiu interpretar o sentir de todos eles, empenhado que esteve sempre em manter-se no poder, que entendia pertencer-lhe por direito próprio, pelo muito que contribuíra com a sua luta no mato para o alcançar.
Esqueceu-se o Nino, guerrilheiro experiente e duro, que não possuía, nem sequer conhecia as armas e as artes para travar e ganhar esta guerra.

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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Enterro do Nabo


As tradições carnavalescas variam de país para país e, por vezes, de local para local dentro do mesmo país.
O País do Carnaval, o Brasil, celebra esta efeméride de forma diferenciada, entre o esplendor turístico-emblemático das escolas de samba do Rio e o fulgor genuíno do trio eléctrico, dos blocos e cordões carnavalescos, carregados de cultura centenária e negritude, de Salvador.
No Alentejo, na região de Évora, as brincas carnavalescas rurais assumindo a forma de teatro popular de rua ou as antigas trupes, animavam com a sua música basista produzida por instrumentos artesanais como as roncas, castanholas, gaitas-de-beiços, caixas e pandeiretas, incorporando algumas vezes uma concertina ou um saxofone, dando vida à festa.
Mais tarde e já com fins turístico promocionais apareceram alguns cortejos ou corsos carnavalescos, utilizando veículos enfeitados e alegóricos, com críticas políticas ou alusões a escândalos públicos conhecidos.
Em Ponta Delgada comemora-se ainda a terça-feira de Carnaval com a famosa batalha de limas, que costuma deixar alguns olhos negros pelo caminho e a avenida marginal repleta de cera.
Alguns destes cortejos foram-se perdendo entre o desinteresse e as falências.
O enterro do carnaval é comemorado, também de forma diferente, na quarta-feira de cinzas.
Nesta área geográfica, a nível de aldeia, é-lhe dado o nome de “enterro do nabo”, representado falicamente por um rábano de dimensões exageradamente grandes, “implantado” na braguilha do “defunto carnaval”, à imagem do Homem, esparramado numa carreta funerária.
O cortejo fúnebre, encabeçado pelo “bispo”, ronda a aldeia num percurso de despedida da folia, com paragem obrigatória onde existam altares ou oráculos, devidamente assinalados, com “oferendas divinais”. Aí será rezada uma missa de corpo presente, tantas vezes quantos os altares.
Não seria a primeira vez que os promotores e actores deste cortejo, se perdessem do propósito de enterrar o dito nabo, em seara alheia, quedando-se pelo meio do caminho entre encalhes e bebedeiras.
Este ano, caso insólito nesta aldeia, o enterro do nabo, ou seja do Carnaval, é realizado na data em que seria suposto começar – Domingo Gordo, talvez por causa das vacas magras ou pela simples razão de que não existem grandes motivos para brincar ao carnaval.
Carnaval, que aparece pela primeira vez desde o 25 de Abril de 1974, pintado com a tinta negra de censura.

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Chamada Geral do DFE4

- Sargento Torres?
- Presente!

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sábado, dezembro 27, 2008

Companheiros de jornada

Começa a não ser vulgar partilhar com a mesma pessoa uma tão longa e às vezes atribulada jornada – 44 anos.
É obra, carago!
Só por si, já merecia um apontamento, como efeméride. Mas significa para mim muito mais do que isso.
Significa, não saber muito bem onde um começa e o outro acaba. Como um dia ouvi dizer a propósito de outra realidade – um ter dores de cabeça e o outro tomar as aspirinas.
Significa, ser capaz de se empolgar na acção ainda que com pontos de vista diferentes, se estiver em causa a defesa de valores comuns importantes – a família como um todo, ainda que num pretérito imperfeito composto ou num futuro condicional.
A história constrói-se todos os dias na esperança de que algum dia seja contada. A vida em comum também espera que alguém se lembre um dia de a contar com o orgulho de quem a conheceu por dentro ou somente dela ouviu falar.
Não serve de exemplo para ninguém, porque as vidas são construídas e vividas por pessoas todas diferentes, com percursos cada vez mais imprevisíveis, com escolhos maiores e menos assinalados, com horizontes mais nublados, com ventos de borrasca em cada bordo.
Viver é já de si uma aventura. Arrastar nela outra pessoa é arriscar a dobrar.
Só perto do termo da viagem se dá apreço às dificuldades vencidas, se faz balanço dos estragos causados e se agradece o facto de termos vivido o suficiente para nos regozijarmos com a partilha, nos orgulharmos de termos resistido às várias tormentas, enfrentando agora o rescaldo com a serenidade do dever cumprido.
Obrigado a ti e à vida!

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quarta-feira, dezembro 24, 2008

Bolinando...à boleia

Do Blog (h)ortografias do meu amigo António Saias, não resisto a transcrever a sua mensagem natalícia, que subscrevo e endosso.

QUE O MENINO Jesus te ponha
Pelo Natal no sapatinho
Uma arroba de vergonha
De sem-ela um alqueirinho

Paz alegria saúde
Tudo muito arrumadinho
De honestidade um almude
De malícia um pucarinho

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segunda-feira, dezembro 08, 2008

12.000 Refregas

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sábado, outubro 11, 2008

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quinta-feira, outubro 09, 2008

O Verão dos Marmelos


Ele aí está com bastante calor até o Sol se pôr, para depois arrefecer até dar vontade de acender a lareira.
É altura de os apanhar e fazer a popular marmelada ou, em alternativa, cozê-los aos pedaços com metade do peso em açúcar e duas estrelas de flor de anis ou raspas de baunilha.
É agradável e ajuda-nos, sobretudo, a saborear esta época de luminosidade ímpar, de caça e castanhas, de nozes e figos secos.
Época de contrastes, de amarelos e castanhos, do cair da folha e de alguns sonhos de Verão, mas já com promessas do aconchego das achas crepitando e de serões longos.
As estórias que ficarão por contar, por falta de tempo, coragem ou de quem as escute, dirão mais de nós do que aquelas que forem contadas.
Tempo de recolha e de balanço, de carregar a despensa em consonância com a fábula da formiga e da cigarra ou com a conjuntura que vivemos.
Verão dos marmelos, tempo de mudanças, que antecede o frio do branco e negro que se avizinha e que sempre nos faz estremecer pela perspectiva do cinzento.

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terça-feira, agosto 19, 2008

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quarta-feira, abril 30, 2008

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sexta-feira, abril 25, 2008

Música de Abril

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