sexta-feira, janeiro 23, 2009

Em busca da elegância perdida

O tropel dum bando de idiotas, a que não sou alheio, sapateando em cima de passadeiras rolantes, de geringonças que abanam alternadamente braços e pernas que fingem que sobem para logo descer ou rolam sempre no mesmo sítio quilómetros, que dariam para atravessar o deserto da alma.
Maquinetas que esticam, que dobram que torcem os esqueletos, que retesam a frouxidão muscular ou entumescem os músculos já trabalhados, preparando-os para as árduas tarefas quotidianas de sobreviver.
Suor que pinga não servindo sequer para adubar a terra. Esforço despendido em coisa nenhuma, com fim algum que não seja, e não é, o perder peso que se não perde.
Enquanto o trabalho deverá servir para produzir alguma coisa, independentemente das calorias que nele se invistam, nesta espécie de emergente profissão para velhos e para novos também, o trabalho produzido mede-se pelas calorias que nele se desinvestirem.
No final, de regresso ao futuro, um banho turco para relaxar de tanta canseira desperdiçada, com a suave consciência do dever cumprido, de ajudar este país a sair do atoleiro em que imergiu, não muito depois da saída dos mouros, que bem podiam por aqui ter deixado a par do “al”garbe e “al”modôvar, de “al”cácer e “al”cantarilha, uns quantos pocitos de “al”petróleo, que muito jeito davam nos tempos que correm.

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sábado, novembro 18, 2006

Loucuras e fantasias em dó menor

Algumas vezes me pergunto se de facto existo, ou se é apenas impressão minha. Que as coisas não são o que parecem, ou são apenas porque parecem ser. A família será uma abstracção nossa ou existe de facto com vínculos sanguíneos, cromossomáticos, afectivos, de leite?! Talvez seja só imaginação nossa, porque seria impensável o neto bater na avó e às vezes acontece. Se a minha avó me batia era porque era avó e a avó bate por bater, ou porque eu merecia? Será que ela alguma vez me bateu ou continua só a ser impressão minha? A mãe bate para castigar, bate para educar ou bate por amor? Mas que disparate! Os pais batem porque são grandes, porque se fossem pequenos também as levavam, ou não? Confesso que estou confuso! Será que eu existo ou sou apenas a lembrança de quando era pequeno e a minha avó me batia? Ou a minha mãe me amava com a colher de pau quando não lhe obedecia, ou as minhas irmãs me chegavam a roupa ao pêlo, porque as denunciava quando estavam a namorar à janela, ou o meu pai me dava uma tosa de se lhe tirar o chapéu, só porque eu saltava por cima do gargalo do poço? É bom a gente bater quando ama, bater na mulher, bater na irmã, bater na tia, bater na sobrinha, bater, bater! Bater até a mão doer! Adoro bater! Ou será que é apenas impressão minha? Será que existo ou apenas penso que existo?! Bato, logo existo! Hoje sou ou não sou?

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